IHB volta a realizar procedimento neurocirúrgico com neurointervenção para tratamento de doenças raras


Publicado em: 26 de setembro de 2018

O Instituto Hospital de Base (IHB) voltou a realizar procedimentos neurocirúrgicos para patologias raras, após quatro anos de interrupção, utilizando cateteres a partir da virilha até a cabeça, e até a coluna cervical, a fim de fechar vasos doentes. Em setembro, foram feitas duas destas cirurgias: a primeira, em um recém-nascido e a segunda, em um adulto. A equipe composta por oito profissionais, contou com três cirurgiões, enfermeiros e técnicos da hemodinâmica, além dos residentes de neurocirurgia. Cada procedimento durou em média 4 horas.

No caso do bebê, existia uma comunicação direta entre as artérias e as veias da cabeça, gerando uma expansão e um roubo muito grande de fluxo sanguíneo pela lesão (fístula artério-venosa). A patologia fez com que o paciente desenvolvesse insuficiência cardíaca. O neurocirurgião e neurointervencionista do IHB, doutor Bruno Parente, explica que “foi feita uma interrupção entre a parte arterial e venosa, fazendo com que o fluxo de sangue seguisse o seu caminho normal para o tecido cerebral e não mais diretamente para o sistema venoso”. Após o procedimento, a criança apresentou melhora cardíaca, e está sob observação na UTI pediátrica, sendo avaliada clinicamente pela equipe médica.

Em relação ao paciente adulto, existia uma comunicação direta entre artérias e veias, na superfície da medula espinhal cervical, que causava disfunção medular, com risco de tetraplegia. Também foram obstruídas as comunicações patológicas entre as artérias e as veias, com melhora da circulação arterial e venosa local. O paciente se recuperou rapidamente e teve alta em 2 dias.

Segundo o doutor Elias Fouad Rabahi, neurorradiologista intervencionista do IHB, que também participou das operações, “os procedimentos exigem uma equipe especializada, com formação de longa duração, conhecimento de anatomia, fisiologia e fisiopatologia da doença, para entender os pontos a serem tratados”. Ele explica que são intervenções realizadas em áreas nobres do corpo, que requerem minucioso conhecimento anatômico e da patologia. “É importante dizer que grande parte do grupo de trabalho envolvido nas cirurgias foi formado dentro do IHB”, registra o médico.

O doutor Bruno Parente esclarece que “as duas patologias raras têm o mesmo método de tratamento utilizado em doenças mais conhecidas, como os aneurismas cerebrais, que podem gerar hemorragia intracraniana, risco de morte e no caso desses dois pacientes,  risco de piora cardíaca e da função medular”. Em sua opinião, a cirurgia permite que os pacientes tenham menor manipulação cirúrgica, por serem procedimentos pouco invasivos, com alta hospitalar mais rápida.

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