Saúde investigará circulação do coronavírus no DF


10/11/2020 - 19h59

Pesquisa por amostragem vai subsidiar a adoção de medidas para conter uma eventual segunda onda da pandemia

Marina Mercante

A Secretaria de Saúde começa a aplicar, na próxima semana, 8,5 mil testes rápidos em moradores das 33 regiões administrativas para conhecer como o coronavírus se propaga no território, qual é o grau de contaminação e se a progressão pode levar a uma segunda onda da pandemia na capital federal. Esse inquérito epidemiológico servirá de subsídio para que o governo do DF decida pela adoção de novas medidas de enfrentamento do contágio.

A aplicação dos testes faz parte do Plano Estratégico de Combate ao Coronavírus no Distrito Federal – Ações de Enfrentamento 2020-2021, apresentado hoje (10) pelo secretário de Saúde, Osnei Okumoto, em entrevista coletiva no Palácio do Buriti.  O plano também prevê mudanças no atendimento na rede pública do DF aos pacientes contaminados pelo vírus.

Em entrevista coletiva, gestores da Saúde anunciaram novo planejamento para enfrentar pandemia na capital federal

A Saúde priorizará o atendimento na rede de atenção primária, ou seja, nas unidades básicas de saúde (UBS), e não mais nos hospitais de referência. As UBS vão receber os equipamentos dos hospitais de campanha que estão sendo desativados, como o do Estádio Nacional de Brasília Mané Garrincha, desmontado em outubro.

As estratégias incluem o acolhimento em unidades básicas de saúde, o telemonitoramento para acompanhar a evolução da doença e o encaminhamento para o hospital regional mais próximo, em caso de necessidade.

Circulação do coronavírus no DF

Para fazer o inquérito epidemiológico na capital, a Saúde utilizará 10 mil testes rápidos do tipo IgG e IgM que foram doados no fim de outubro pelo Serviço Social do Comércio (Sesc) e pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Distrito Federal (Fecomércio-DF).

Serão feitos 8,5 mil testes: 250 em cada uma das 33 regiões administrativas, em moradores escolhidos por sorteio. Os 1,5 mil testes restantes servem como reserva de segurança para casos em que seja necessário repetir o exame.

“O teste rápido que vamos usar avalia anticorpos tanto na fase aguda quanto na fase crônica da doença. Então, é um dado precioso para melhorar nosso inquérito epidemiológico e oferecer mais subsídios à análise”, disse o secretário Osnei Okumoto.

> Plano Estratégico de Combate ao Coronavírus no Distrito Federal.
> Inquérito de Soro Prevalência de Covid-19 nas Regiões Administrativas.

A meta é fazer a pesquisa por amostragem em cerca de 30 dias, começando na segunda quinzena de novembro e terminando até o dia 15 de dezembro. A Diretoria de Vigilância Epidemiológica da Secretaria de Saúde estima de 15 a 20 dias para os trabalhos de campo e mais 10 dias para a análise dos dados.

Haverá uma equipe por RA, com dois profissionais de saúde e um motorista. Os grupos vão atuar de forma simultânea, indo às casas sorteadas e, com o consentimento do morador, aplicando o teste.

O diretor de Vigilância Epidemiológica, Cássio Peterka, ressalta que o inquérito sorológico tem o objetivo de saber se as pessoas tiveram contato com o vírus e quantas ainda estão suscetíveis. “Uma região com pouca circulação, por exemplo, poderá ter um olhar mais diferenciado e atento do sistema de vigilância, porque os casos poderão aumentar ali”, explicou.

Foco na atenção primária

Diferentemente do ocorreu até agora no DF, em que o Hospital Regional da Asa Norte (Hran) foi a unidade de referência para casos de infecção por coronavírus, a população será orientada a procurar as unidades básicas de saúde (UBS) em caso de sintomas.

Nas UBS, a equipe vai atender por demanda espontânea, ou seja, sem agendamento. A depender da primeira consulta, o teste será feito. Em caso positivo para a doença, a pessoa ficará em sala isolada e receberá as orientações.

Unidades básicas de saúde terão 150 mil testes rápidos à disposição para atendimento inicial a pacientes suspeitos

A testagem em massa nessa fase será possível graças a 150 mil testes rápidos que o DF conseguiu com o Ministério da Saúde em novembro. Eles já estão à disposição e vão ser usados pela atenção primária, no atendimento inicial aos pacientes suspeitos.

Com esses testes, o governo espera ter ações específicas em relação à probabilidade de uma segunda onda. “Vai ter segunda onda? Impossível dizer sem o inquérito epidemiológico e sem a testagem em massa. Estamos saindo na frente, nos precavendo para dar melhores respostas se houver uma transmissão mais acentuada”, ressaltou Okumoto. Além dos 150 mil testes, o Laboratório Central é reabastecido mensalmente com 18 mil kits.

No caso de quadros leves, os pacientes deverão voltar para casa, onde haverá um monitoramento por telefone ou aplicativo de celular a cada 24 horas (se tiver comorbidades) ou 48 horas. Se necessário, algum agente de saúde irá ao local para medir a saturação de oxigênio. Para isso, o governo conta com 600 aparelhos de oxímetro, um por equipe de saúde da família.

Se a saturação estiver maior que 94%, a pessoa será encaminhada ao hospital regional mais próximo da casa dela ou a uma unidade de pronto atendimento. “Todos os hospitais estarão preparados para atender pacientes de covid. Não será preciso procurar uma unidade de referência”, esclarece o subsecretário de Atenção Integral à Saúde, Alexandre Garcia.

O subsecretário informa que o DF tem hoje 599 equipes de saúde da família, 498 delas completas, e o restante com ao menos um enfermeiro, um técnico de enfermagem ou um agente comunitário. “A quantidade de equipes permitirá que a população seja bem atendida em todas as regiões administrativas no combate à pandemia de covid.”

Ainda segundo Alexandre Garcia, estudos mostraram que de 80% a 85% dos infectados pelo coronavírus tiveram quadros leves ou foram assintomáticos, o que permite essa estratégica de atendimento com foco na atenção primária e no monitoramento domiciliar.

Hospital de Base atua também na reabilitação

O presidente do Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (Iges-DF), Paulo Ricardo Silva, participou da apresentação do plano. “Entendemos que o planejamento é baseado em critérios científicos, o que traz uma segurança para a população de Brasília”, afirmou.

Paulo Ricardo destacou que o Hospital de Base tem um protagonismo no processo de reabilitação dos pacientes que tiveram a doença. A unidade foi uma das cinco escolhidas em todo o Brasil para participar do projeto Reab pós Covid-19, parceria do Ministério da Saúde com o Hospital Sírio-Libanês.

Também participou da entrevista Petrus Sanchez, secretário-adjunto de gestão em Saúde.

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