O Hospital de Base do Distrito Federal (HBDF) reuniu profissionais de diferentes áreas, na última sexta-feira (23), para discutir a prevenção dos cânceres de mama e do colo do útero, os desafios do diagnóstico precoce e a importância do acolhimento às pacientes. A capacitação, realizada durante o Outubro Rosa, buscou ampliar o conhecimento das equipes e fortalecer uma assistência que considera tanto as necessidades clínicas quanto os aspectos emocionais de quem enfrenta a doença.
Organizado pelo Núcleo de Educação Permanente da Diretoria de Inovação, Ensino e Pesquisa (Diep), o encontro integrou o projeto Educa em Ação, com o tema “Outubro Rosa e o panorama oncológico feminino: conhecer, prevenir e cuidar em equipe”.

A programação reuniu especialistas para abordar o cenário dos cânceres femininos no Brasil, as medidas de prevenção e os fatores que podem dificultar a procura por atendimento. Entre eles, o medo de receber um diagnóstico e a sobrecarga de responsabilidades assumidas por muitas mulheres.
A psicóloga Narjara Pedrosa explicou que a ansiedade e a falta de acolhimento podem interferir na realização de exames e na continuidade do tratamento. Segundo ela, a ausência de sintomas ainda é interpretada, equivocadamente, como sinal de que não há necessidade de acompanhamento.
“Ainda é comum encontrar pessoas que acreditam que a falta de sintomas significa que está tudo bem, e existe o receio de procurar por algo e acabar encontrando”, explica.
Outro obstáculo é a dificuldade de conciliar os cuidados com a própria saúde e as responsabilidades familiares e profissionais, o que pode levar ao adiamento de consultas.
“Muitas estão atarefadas e não têm tempo ou disposição para focar em si, e a marcação de consultas e exames acaba não sendo prioridade”, completa.
Hábitos saudáveis e prevenção
Dados do Instituto Nacional de Câncer (Inca) apresentados na matéria apontam uma taxa estimada de 66,31 casos de câncer de mama feminina por 100 mil habitantes no Distrito Federal, uma das mais elevadas do país. Para o câncer do colo do útero, o índice é de 14,58 casos por 100 mil habitantes.
Durante a capacitação, a oncologista Gabriella Mendes, do Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (IgesDF), destacou a importância da alimentação equilibrada, da prática regular de atividades físicas e da redução do consumo de bebidas alcoólicas como medidas que contribuem para diminuir o risco de determinados tipos de câncer.

“A atividade física precisa ser feita mesmo contra a vontade, mesmo se não gostar ou não quiser. É como se fosse um remédio que você precisa consumir mesmo que tenha gosto ruim”, resume.
A prática de exercícios também pode favorecer o bem-estar de pacientes em tratamento oncológico, desde que respeitadas as condições clínicas e as orientações dos profissionais de saúde. Nesse contexto, a fisioterapeuta Gisele Damasceno ressaltou a importância de uma assistência que considere as diferentes necessidades de cada pessoa.
“A gente tem que estar bem por completo, por isso temos que ver o paciente de forma completa, oferecendo cuidado integrado e especializado para cada etapa do tratamento”, destaca.
Além dos aspectos físicos, o encontro reforçou que o acolhimento deve fazer parte de todas as etapas da assistência, desde o primeiro contato com o hospital. Para Marta Frias, colaboradora do Núcleo de Humanização que acompanhou a atividade, a preparação das equipes contribui para oferecer um atendimento mais sensível às dificuldades enfrentadas pelos pacientes.
“O paciente com câncer chega sensível, com a saúde mental abalada, e é muito importante que todos ajudem no acolhimento, desde a recepção à equipe médica. Esse tipo de ação que aperfeiçoa os colaboradores para atenderem melhor os pacientes são super interessantes”, avalia Marta.



