Com o aumento das doenças respiratórias no Distrito Federal, reconhecer rapidamente sinais de agravamento pode reduzir complicações e garantir atendimento mais ágil aos pacientes. Pensando nisso, profissionais e estudantes da área da saúde participaram, na manhã desta sexta-feira (8), da capacitação “Insuficiência Respiratória Aguda: Identificação Rápida e Manejo no Paciente Adulto”, promovida no Hospital Regional de Santa Maria (HRSM).

O treinamento teve como foco preparar equipes multiprofissionais para identificar precocemente sinais da insuficiência respiratória aguda (IRpA) e fortalecer a resposta clínica durante o atendimento aos pacientes.
A atividade foi realizada no auditório da unidade, administrada pelo Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (IgesDF), e ministrada pela fisioterapeuta Amanda Larissa Nascimento, mestranda em Saúde Coletiva pela Universidade de Brasília (UnB) e especialista em fisioterapia cardiorrespiratória.
Durante o encontro, os participantes receberam orientações sobre avaliação inicial, sinais de agravamento, suporte respiratório e atuação integrada entre os profissionais de saúde. Segundo Amanda, os primeiros minutos de atendimento são decisivos para evitar complicações clínicas. “O atraso no reconhecimento e no início do tratamento pode aumentar significativamente os riscos de agravamento e mortalidade”, destaca a fisioterapeuta.
Entre os principais sinais apresentados durante a capacitação estão falta de ar, respiração irregular, cianose, alteração do nível de consciência e dificuldade para realizar atividades simples do dia a dia. De acordo com a especialista, os sintomas muitas vezes começam de forma silenciosa e acabam sendo negligenciados.

“A pessoa começa a sentir cansaço até em atividades básicas, como tomar banho ou limpar a casa, e passa a perceber dificuldade para respirar. Esse é um dos principais sinais de que ela precisa procurar ajuda médica imediatamente”, explica.
Além da identificação precoce, Amanda também ressaltou o papel da fisioterapia respiratória no tratamento dos pacientes, desde o suporte ventilatório até o acompanhamento da recuperação pulmonar.
“O fisioterapeuta é essencial nesse processo. Atuamos na titulação do oxigênio, no uso de ventilação não invasiva, cateter nasal de alto fluxo, além de exercícios respiratórios e técnicas que ajudam no fortalecimento da musculatura respiratória e na recuperação da oxigenação adequada do paciente”, afirma.
Alta de Síndrome Respiratória reforça medidas preventivas
Dados apresentados durante a palestra, com base no boletim InfoGripe da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), apontam crescimento dos casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) no Distrito Federal e em outras regiões do país. Segundo o levantamento, Brasília está em nível de alerta ou alto risco para SRAG, com probabilidade superior a 95% de aumento dos casos nas últimas semanas.
Diante desse cenário, Amanda reforçou que a vacinação contra a gripe continua sendo uma das principais formas de prevenção, especialmente entre os grupos mais vulneráveis. “A vacina é extremamente importante. Ela ajuda a prevenir agravamentos e, em alguns casos, evita até a infecção por determinados vírus. Como é uma vacina anual, é fundamental manter a imunização atualizada”, ressalta.
A especialista também chamou atenção para os públicos mais suscetíveis neste período de sazonalidade das doenças respiratórias. Crianças, idosos e pessoas com baixa imunidade estão entre os grupos com maior risco de desenvolver insuficiência respiratória.
Promovido pelo Núcleo de Educação Permanente (Nudep), o próximo encontro da capacitação acontecerá no dia 15 de maio, no HRSM, com o objetivo de ampliar o acesso de profissionais de outros plantões ao treinamento.



