Estudo que teve participação da Neurologia do Base poderá mudar tratamento do AVC no SUS


02/04/2019 - 17h54

Nova técnica reduz sequelas e óbitos, elevando a qualidade do serviço

Um estudo chamado ‘Resilient’ que teve a participação da Unidade de Neurologia do Hospital de Base (HB) poderá mudar o tratamento do Acidente Vascular Cerebral (AVC) isquêmico agudo no SUS. Os benefícios esperados são a redução de sequelas incapacitantes e, principalmente, da mortalidade. A principal investigadora da pesquisa no HB foi a neurologista especialista em AVC, Letícia Costa Rebello.

“O estudo que contou com a participação de mais de 20 hospitais do Brasil começou em janeiro de 2017 e foi interrompido em fevereiro de 2019, em razão do claro benefício do tratamento. Após a publicação do estudo, a ideia é levar para o Ministério da Saúde ee demonstra o custo e a efetividade para que o SUS invista nesse tratamento”, disse a médica.

O Hospital de Base foi o segundo no país em recrutamento de pacientes. A nova técnica consiste no uso da trombectomia mecânica (remoção do trombo com uso de cateteres específicos) associado à trombolise, tratamento tradicional com medicação para dissolver o coágulo.

“Agora, serão feitas análises dos dados para avaliar a capacidade de reproduzir os estudos internacionais com a combinação de eficácia e segurança, além de desfechos secundários, como o custo-efetividade. A médio e longo prazo, haverá impacto na qualidade de vida não só do paciente, mas de sua família e, em visão mais ampla, de toda a sociedade”, observou.

Segundo ela, o estudo foi financiado pelo governo federal e aprovado pelo Ministério da Saúde e Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (Conep). O tratamento já é empregado em todo o mundo e nos hospitais particulares, porém, como é mais avançado e necessita de cateteres caros ainda não foi disponibilizado no SUS.

“A intervenção é similar ao cateterismo em casos de infarto, mas ao invés de inserir o dispositivo no coração, insere-se na cabeça”, explicou a profissional.

ENTENDA – O AVC isquêmico ocorre quando há obstrução de uma artéria, impedindo a passagem de oxigênio para células cerebrais, que acabam morrendo. Essa obstrução pode acontecer devido a um trombo (trombose) ou a um êmbolo (embolia). O AVC isquêmico é o mais comum e representa 85% de todos os casos da doença.

O AVC é a segunda causa de morte e a primeira de incapacidade no Brasil. Apenas em 2015, 100.520 pessoas morreram em decorrência da doença. Do total, 4.592 mortes foram de pessoas com menos de 45 anos, de acordo com os últimos dados catalogados pelo Ministério da Saúde, que registrou no mesmo ano, 212.047 internações relacionadas ao problema, que pode ser provocado por obstrução de artéria ou mesmo rompimento de vasos sanguíneos.

SINAIS E SINTOMAS – Os principais sinais de alerta para qualquer tipo de AVC são:
• fraqueza ou formigamento na face, no braço ou na perna, especialmente em um lado do corpo;
• confusão mental;
• alteração da fala ou compreensão;
• alteração na visão (em um ou ambos os olhos);
• alteração do equilíbrio, coordenação, tontura ou alteração no andar;
• dor de cabeça súbita, intensa, sem causa aparente.

Texto: Ailane Silva/Iges-DF

Fotos: Lúcio Távora/Iges-DF