Falta de ar e cansaço podem indicar doença respiratória rara e grave

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Falta de ar e cansaço podem indicar doença respiratória rara e grave

Falta de ar e cansaço podem indicar doença respiratória rara e grave

Relato de paciente chama atenção para a importância do diagnóstico precoce da hipertensão pulmonar

Por Giovanna Inoue

“De repente, começou uma falta de ar absurda. Eu sentia como se estivesse me afogando no ar”, relembra Juliana Vieira Mendes, ao falar sobre uma crise respiratória que levou ao diagnóstico de hipertensão pulmonar.

A paciente conta que tinha notado outros sintomas ao longo de seis meses, como cansaço, tonturas e inchaço nas pernas, mas que não imaginou que pudessem ser algo mais grave.

“Eu deixei pra lá um monte de coisinhas que eram muito importantes. Foi acontecendo de forma muito sutil, então eu fui dando outras explicações. Achei que era porque tinha trabalhado muito, ou porque não estava fazendo exercícios e estava sedentária. Mas hoje, eu vejo que eu só não liguei os pontos”, relata.

Juliana conta que sentiu sintomas por seis meses antes de receber o diagnóstico de hipertensão pulmonar.| Foto: Divulgação/IgesDF

Juliana possui esclerose sistêmica, uma doença autoimune crônica que causa o endurecimento da pele e pode afetar órgãos internos, estando associada ao desenvolvimento da hipertensão pulmonar. A paciente recebeu o diagnóstico em uma instituição particular, mas foi orientada a buscar o Hospital de Base do Distrito Federal (HBDF), referência no tratamento da doença.

“Eu fiquei muito feliz de conseguir vir para o Base, porque os médicos e especialistas da rede pública são excelentes. Eu sabia que a qualidade do atendimento que eu receberia seria de alto nível e muito confiável, então eu realmente fiquei muito aliviada. A hipertensão pulmonar é uma condição muito grave e os sintomas são dramáticos, mas estar aqui me dá mais esperança”, comemora.

Neste 5 de maio, quando é celebrado o Dia Mundial da Hipertensão Pulmonar, o alerta é para a importância de reconhecer os sinais e buscar avaliação médica o quanto antes. A doença é caracterizada pelo aumento da pressão nas artérias dos pulmões e pode surgir a partir de diferentes condições, como problemas cardíacos, doenças respiratórias, doenças autoimunes ou a presença de coágulos antigos.

No HBDF, unidade administrada pelo Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (IgesDF), uma equipe especializada acompanha pacientes com a condição. A unidade realiza, em média, 80 atendimentos mensais relacionados à hipertensão pulmonar.

Segundo o pneumologista Ygor Mourão, identificar corretamente o tipo de hipertensão pulmonar é essencial para definir o tratamento. “O cuidado varia de acordo com a causa, e isso exige uma avaliação detalhada em centros especializados. O Hospital de Base é uma das referências no Distrito Federal nesse tipo de atendimento”, explica.

O especialista ressalta que a hipertensão pulmonar pode ter diferentes causas e, por isso, é dividida em cinco grupos. Entre eles, estão casos ligados a alterações nas artérias pulmonares, doenças do coração, problemas respiratórios, presença de coágulos e situações com múltiplos fatores associados. A classificação é essencial para definir o tratamento adequado.

Diagnóstico precoce faz diferença

Por envolver diferentes fatores, a hipertensão pulmonar pode atingir pessoas de qualquer idade e não possui formas específicas de prevenção. O desconhecimento sobre a doença, no entanto, ainda é um dos principais obstáculos para o diagnóstico rápido.

“Essa variedade de condições faz com que muitos pacientes demorem a chegar ao especialista e iniciar o tratamento. Quanto mais falarmos sobre o tema, maiores são as chances de diagnóstico precoce e de evitar estágios mais avançados”, afirma o médico.

Hospital de Base é referência no tratamento de hipertensão pulmonar.| Foto: Divulgação/IgesDF

O processo de investigação envolve diferentes especialidades e exames específicos, disponíveis principalmente em hospitais de alta complexidade. Dados do Ministério da Saúde indicam que a doença atinge entre dois e cinco adultos por milhão, a cada ano, no mundo.

Tratamento especializado

O acompanhamento contínuo é fundamental para o controle da doença e a melhora da qualidade de vida, especialmente em casos associados a outras condições, como doenças autoimunes.

Em caso de sintomas como falta de ar sem causa aparente, cansaço progressivo, tontura ou inchaço nas pernas, a orientação é procurar uma Unidade Básica de Saúde (UBS), porta de entrada do Sistema Único de Saúde (SUS). Nessas unidades, é feita a avaliação inicial e, se necessário, o encaminhamento para atendimento especializado em hospitais de referência, como o Hospital de Base do Distrito Federal.

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