Hospital de Base chega aos 66 anos entre histórias, inovação e avanços

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Hospital de Base chega aos 66 anos entre histórias, inovação e avanços

Hospital de Base chega aos 66 anos entre histórias, inovação e avanços

Referência em alta complexidade, unidade soma milhões de atendimentos, incorpora novas tecnologias e amplia estrutura assistencial

Por Jurana Lopes

“Quando cheguei aqui, foi outra história. O Hospital de Base foi tudo para mim. Fui acolhida, tratada. Esse hospital salvou a minha vida.” A declaração é de Maria de Lourdes Gomes do Nascimento, de 61 anos, que há cerca de duas décadas chegou ao Hospital de Base do Distrito Federal (HBDF) com leucemia. Curada após o tratamento, ela escolheu voltar ao lugar que marcou sua história. Há 16 anos, atua como voluntária e acolhe pessoas que, como ela, chegam em busca de cuidado.

Maria de Lourdes teve sua vida salva com o tratamento correto de uma leucemia no HBDF. Desde então, segue ajudando outras pessoas como voluntária | Foto: Ualisson Noronha/IgesDF

A trajetória de Maria é uma entre milhões que atravessam os corredores do Base, que completa 66 anos no próximo sábado (12). Inaugurado em 12 de setembro de 1960, apenas cinco meses após a fundação de Brasília, o hospital cresceu junto com a capital e chega ao aniversário como referência em alta complexidade, com ampliação da assistência, novas tecnologias e projetos que apontam para o futuro.

Desde 2019, sob gestão do Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (IgesDF), foram aproximadamente 4,7 milhões de atendimentos ambulatoriais, mais de 85 mil procedimentos cirúrgicos e aproximadamente 560 transplantes. Atualmente, o HBDF dispõe de 789 leitos, sendo 86 de Unidade de Terapia Intensiva (UTI), e reúne mais de 40 especialidades médicas e não médicas.

Desde 2019, sob gestão do IgesDF, foram aproximadamente 4,7 milhões de atendimentos ambulatoriais realizados | Foto: Ualisson Noronha/IgesDF

Antes de chegar ao Base, Maria havia passado por diferentes hospitais. Fraqueza intensa, dores e hematomas pelo corpo faziam parte de uma rotina de incertezas até que, após conseguir um exame por conta própria, recebeu o diagnóstico de leucemia.

“Eu estava definhando, morrendo sem o diagnóstico”, lembra.

Transferida para o HBDF, passou quase seis meses em tratamento, entre internações e retornos. Depois de curada, decidiu transformar a própria experiência em cuidado com outras pessoas e tornou-se voluntária na unidade.

Para a presidente do IgesDF, Eliane Abreu, histórias como a de Maria ajudam a traduzir o significado do hospital para a população.

A presidente do IgesDF, Eliane Abreu, parabeniza o HBDF por ser um jovem senhor, de 66 anos, complexo, resolutivo e gigante | Foto: Ualisson Noronha/IgesDF

“Vejo isso, por exemplo, nos pacientes oncológicos que chegam acreditando que ali encontrarão uma possibilidade de recuperar a saúde e seguir suas vidas. É muito gratificante perceber a confiança das pessoas no Base e saber que o hospital faz diferença em momentos tão importantes de suas histórias”, pontua.

Assistência cresce e amplia alcance

A evolução das consultas especializadas ajuda a dimensionar as transformações dos últimos anos. Em 2019, o Base registrou 74.027 consultas médicas especializadas. Em 2025, foram 293.737, quase quatro vezes o volume contabilizado seis anos antes. Em 2026, o levantamento registra 197.294 consultas até início de setembro.

“O Hospital de Base é feito, antes de tudo, de pessoas cuidando de pessoas. Temos equipes altamente especializadas e profissionais que conhecem a dimensão e a responsabilidade de trabalhar em uma unidade que recebe pacientes de alta complexidade. Os números são importantes, mas cada atendimento representa uma vida e uma família que confiaram no nosso trabalho”, avalia o superintendente do HBDF, Paulo Saad.

Evolução do HBDF é vista através dos números de atendimentos, consultas e cirurgias realizadas. Além das transformações com equipamentos cada vez mais modernos, como o arco cirúrgico | Foto: Ualisson Noronha/IgesDF

A atividade cirúrgica também avançou. O número de procedimentos passou de 13.436 em 2020 para 19.233 em 2025, crescimento de aproximadamente 43%. Em 2026, já são 12.403 cirurgias até início de setembro.

Desde 2019, o Base também fortaleceu áreas estratégicas, como oncologia, cardiologia, nefrologia, transplantes, medicina nuclear, ortopedia e traumatologia.

Um dos destaques está no atendimento ao trauma. O HBDF abriga o primeiro Centro de Trauma do Centro-Oeste e foi o quinto do Brasil a receber a Certificação Platinum da Linha de Cuidado do Paciente de Trauma. A unidade soma ainda 42 habilitações ativas, entre elas a de transplante de medula óssea.

Centro de Trauma é reconhecido com Certificação Platinum da Linha de Cuidado do Paciente de Trauma| Foto: Ualisson Noronha/IgesDF

Para o chefe do Centro de Trauma do HBDF, Renato Lins, o reconhecimento representa um marco para a instituição.

“Mais do que um título, essa conquista reconhece um trabalho construído diariamente há anos por uma equipe multiprofissional, com organização, capacitação, estrutura e compromisso com a segurança e a qualidade do atendimento a toda a população do Distrito Federal”, afirma.

Na oncologia, entre 2019 e 2026, foram registradas mais de 187 mil consultas de pacientes com câncer, quase 6 mil cirurgias oncológicas e mais de 351 mil sessões de quimioterapia. O HBDF abriga ainda o Centro de Assistência de Alta Complexidade em Oncologia (Cacon), que reúne diferentes etapas do diagnóstico e do tratamento.

Tecnologia muda a forma de cuidar

Ao mesmo tempo em que amplia a assistência, o Hospital de Base incorpora recursos que aumentam as possibilidades de diagnóstico e tratamento.

Em dezembro de 2025, o HBDF colocou em funcionamento o primeiro vídeo-EEG da rede pública do Distrito Federal, ampliando a capacidade de diagnóstico de epilepsia e outras alterações neurológicas. No mesmo ano, recebeu uma nova ressonância magnética, a única da rede pública do DF com capacidade para realizar exames com sedação.

Equipamentos novos e modernos transformam a realidade do HBDF e o tornam referência na região Centro-Oeste | Foto: Ualisson Noronha/IgesDF

A Hemodinâmica ganhou um novo angiógrafo destinado a procedimentos minimamente invasivos e equipado com recursos de inteligência artificial. Na Medicina Nuclear, o hospital é referência na rede pública para exames de alta complexidade, como o PET/CT. Na Radioterapia, está prevista a incorporação de dois aceleradores lineares para ampliar a estrutura destinada ao tratamento do câncer.

O diagnóstico por imagem também passa por modernização, com a aquisição de dois novos tomógrafos, além de um novo arco cirúrgico para suporte intraoperatório e um aparelho de raio X telecomandado para exames dinâmicos e contrastados.

Outra frente é a radiointervenção, com equipe médica especializada em procedimentos minimamente invasivos guiados por imagem, como biópsias, drenagens e intervenções vasculares. Na prática, esses recursos ampliam a capacidade diagnóstica, tornam procedimentos mais precisos e permitem tratamentos menos invasivos.

Novo Centro Cirúrgico aponta para o futuro

Entre os projetos em andamento está o novo Centro Cirúrgico, que terá 16 salas operatórias e uma sala de recuperação pós-anestésica com 16 leitos. O complexo também está sendo preparado para receber cirurgia robótica.

A nova estrutura surge em um cenário de crescimento da atividade cirúrgica e abre caminho para ampliar a capacidade do hospital, incorporar tecnologias e oferecer melhores condições para pacientes e equipes.

Do primeiro atendimento ao procedimento de alta complexidade, da formação de novos profissionais à incorporação de tecnologias, cada avanço tem um destinatário comum: o paciente | Foto: Ualisson Noronha/IgesDF

Para Eliane Abreu, os avanços precisam estar diretamente ligados ao cuidado.

“Queremos deixar para as próximas gerações um hospital ainda mais acolhedor, inovador e preparado para incorporar novas tecnologias, sem jamais se desconectar da essência assistencial e do cuidado humanizado. Inovação só faz sentido quando chega ao paciente e melhora a vida das pessoas”, ressalta.

Um hospital feito por pessoas

Por trás dos equipamentos, salas, consultas e procedimentos estão os profissionais que mantêm uma das estruturas hospitalares mais complexas do Distrito Federal em funcionamento.

O grande legado do HBDF é o comprometimento de cada profissional que diariamente se compromete em fazer o seu melhor em prol da saúde pública do DF | Foto: Ualisson Noronha/IgesDF

O HBDF conta com 5.455 trabalhadores. Desse total, 424 atuam em serviços terceirizados, como cozinha, recepção, segurança e manutenção.

A enfermagem representa o maior contingente, com 2.421 profissionais, entre 585 enfermeiros e 1.836 técnicos de enfermagem. O corpo médico reúne 1.181 profissionais, enquanto as equipes multiprofissionais somam 1.022 trabalhadores. Na área administrativa, são 407 colaboradores.

É essa dimensão humana que a presidente do IgesDF associa à trajetória do Base.

“Quando olho para essa unidade, vejo muito mais do que sua estrutura. Vejo o corpo clínico, a enfermagem, as equipes multiprofissionais, os voluntários e os profissionais terceirizados que ajudaram a construir esse legado. Meu reconhecimento e minha admiração são diários, porque são as pessoas, com seu senso de pertencimento e dedicação, que fazem a diferença no hospital”, afirma.

A assistência convive ainda com ensino, pesquisa e formação profissional. O HBDF é cenário para 122 programas de residência médica e multiprofissional, além dos programas multiprofissionais do IgesDF. Atualmente, registra 61 pesquisas não patrocinadas aprovadas e 19 estudos patrocinados em andamento. Centro de Simulação Realística, salas de estudo e biblioteca complementam essa estrutura.

Aos 66 anos, passado e futuro se encontram em um hospital que cresceu junto com Brasília e continua se transformando para acompanhar as necessidades da população.

Hospital de Base tem grande legado construído por muitas gerações e, hoje, ao completar 66 anos, segue comprometido em ser cada vez mais moderno, eficiente e acolhedor | Foto: Ualisson Noronha/IgesDF

“O Hospital de Base chega aos 66 anos olhando para a própria história com orgulho, mas também com a responsabilidade de continuar avançando. Temos um legado construído por muitas gerações e, hoje, seguimos trabalhando para entregar um hospital cada vez mais moderno, eficiente e acolhedor. O futuro do Base continua sendo construído todos os dias, por quem trabalha aqui e por cada paciente que confia em nosso cuidado”, conclui Paulo Saad.

Do primeiro atendimento ao procedimento de alta complexidade, da formação de novos profissionais à incorporação de tecnologias, cada avanço tem um destinatário comum: o paciente.

“O Hospital de Base é complexo, resolutivo e gigante. É na assistência, no dia a dia das equipes, que gestão e cuidado se transformam em resultado para o paciente”, finaliza Eliane Abreu.

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