Crises psiquiátricas agudas, tentativas de suicídio e estratégias de acolhimento estiveram entre os temas debatidos nesta terça-feira (26) por profissionais do Hospital de Base do Distrito Federal (HBDF). O encontro reuniu equipes da psiquiatria da unidade para discutir desafios da assistência, cuidado multiprofissional e a importância da escuta qualificada no atendimento aos pacientes.
Com o tema “Desafios da Reforma Psiquiátrica: Linha de Cuidado do Paciente no Hospital de Base do Distrito Federal”, a webpalestra abordou desde o acolhimento de pacientes em crise até a continuidade do tratamento após a alta hospitalar.

Atualmente, o serviço de psiquiatria do HBDF conta com 25 leitos de enfermaria e outros 11 no pronto-socorro destinados ao atendimento de pacientes em crise psiquiátrica aguda, incluindo casos de tentativas de suicídio, risco de autoagressão, heteroagressão, transtornos mentais graves descompensados e comorbidades clínicas associadas.
Mais do que o tratamento medicamentoso, os profissionais destacaram a importância da escuta qualificada, do acolhimento e da construção de vínculos durante a assistência. “A gente busca olhar para esses pacientes de forma mais humana, entendendo suas necessidades, suas crises e também suas potencialidades”, afirma a terapeuta ocupacional Amanda Oliveira.
Segundo a equipe, em muitos casos o manejo pode ser realizado por meio da terapia verbal, evitando contenções químicas ou mecânicas e contribuindo para uma assistência mais humanizada.
Entre os desafios debatidos durante o encontro esteve o atendimento a pacientes do sistema prisional. De acordo com o psicólogo Igor Almeida, grande parte das demandas desse público está relacionada a tentativas de autoextermínio.

“Eles chegam acompanhados por agentes penitenciários e muitos permanecem algemados, o que limita a participação em atividades coletivas e traz desafios para a assistência. Por isso, o diálogo com os agentes é essencial para garantir um cuidado mais humanizado”, explica.
Outro ponto abordado durante a capacitação foi a continuidade do tratamento após a alta hospitalar. A farmacêutica clínica Joyce Affonso ressaltou que muitos pacientes não possuem acompanhamento regular nem rede de apoio familiar. “Antes da alta, o hospital já encaminha o cadastro para a farmácia de alto custo, justamente para garantir que esse paciente continue o tratamento sem interrupções”, destaca.
O serviço de psiquiatria do HBDF conta atualmente com médicos psiquiatras, enfermeiros, técnicos de enfermagem, fisioterapeutas, psicólogos, assistentes sociais, terapeutas ocupacionais, farmacêuticos, fonoaudiólogos e profissionais administrativos. A atuação integrada das equipes é considerada fundamental para qualificar o cuidado prestado aos pacientes.
A webpalestra foi promovida pelo Núcleo de Educação Permanente (Nudep) e pela Gerência de Gestão do Conhecimento (GGCON), áreas ligadas à Diretoria de Inovação, Ensino e Pesquisa (Diep) do Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (IgesDF). O conteúdo está disponível no canal oficial do Instituto no YouTube.



