Mulheres de 14 a 45 anos com diagnóstico de acne moderada podem se candidatar a uma pesquisa clínica que investiga uma nova possibilidade de tratamento para a doença. O estudo é realizado no Centro de Pesquisa da Diretoria de Inovação, Ensino e Pesquisa (Diep), no Hospital de Base do Distrito Federal (HBDF), administrado pelo Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (IgesDF).

O recrutamento começou em outubro e permanecerá aberto até que seja alcançado o número de participantes previsto no protocolo ou que o laboratório patrocinador encerre a seleção. As interessadas passarão por uma avaliação inicial para verificar se atendem aos critérios exigidos.
Mais do que uma questão estética, a acne é uma doença inflamatória que pode provocar manchas, cicatrizes e impactos na autoestima e na qualidade de vida.
“A acne é uma doença inflamatória muito comum. É importante entendermos que seu impacto vai além das espinhas. Ela pode deixar manchas e cicatrizes e interferir diretamente na autoestima e na qualidade de vida. Com a pesquisa, queremos avaliar novas possibilidades de tratamento e contribuir para o avanço da medicina”, explica a dermatologista do Hospital Regional de Santa Maria (HRSM) e investigadora responsável pelo estudo, Laís Dutra.
Como funciona a pesquisa
O primeiro passo é uma triagem conduzida por uma enfermeira da equipe de pesquisa. Nessa etapa, serão avaliadas as condições iniciais da candidata e os critérios necessários para sua inclusão no estudo.

As mulheres selecionadas contarão com acompanhamento de dermatologista e ginecologista, além do suporte de outros profissionais da equipe multidisciplinar. As atividades serão realizadas no Centro de Pesquisa da Diep, no Hospital de Base, com duração estimada de três a seis meses, conforme o protocolo.
“Essas mulheres serão avaliadas e acompanhadas por uma equipe multidisciplinar. Começamos com a triagem e, atendidos os critérios da pesquisa, seguimos com todo o acompanhamento necessário. É um processo estruturado para que a participante seja assistida durante as diferentes etapas do estudo”, destaca Laís.
A avaliação também poderá considerar fatores hormonais relacionados ao aparecimento ou à piora da acne. Quando previsto no protocolo, poderão ser solicitados exames e avaliação ginecológica, inclusive para verificar os cuidados contraceptivos necessários durante a participação.

A pesquisa está na fase 3 do desenvolvimento clínico da medicação, etapa avançada em que são avaliados aspectos relacionados à eficácia e à segurança do tratamento. O estudo utiliza o modelo duplo-cego, no qual nem a participante nem a médica investigadora sabem, durante o acompanhamento, a qual grupo de tratamento a voluntária foi destinada. Esse método contribui para reduzir possíveis interferências na avaliação dos resultados.
“O objetivo é avaliar a resposta ao tratamento considerando tanto a percepção da participante quanto a avaliação médica. Estudos como esse são importantes para conhecermos melhor novas medicações antes que possam chegar ao mercado e se tornar mais uma opção de tratamento”, ressalta a dermatologista.
Durante o estudo, serão disponibilizados produtos para os cuidados com a pele previstos no protocolo, como sabonete, protetor solar e hidratante. As participantes selecionadas também receberão ajuda de custo, conforme as regras da pesquisa.
Pesquisa científica no IgesDF
O estudo integra as iniciativas de pesquisa clínica desenvolvidas pelo IgesDF, que mantém projetos conduzidos por seus profissionais e participa de investigações em parceria com instituições nacionais e internacionais.

Entre 2025 e 2026, o Conselho Científico do Instituto aprovou 169 projetos de pesquisa. Desse total, 57 têm o IgesDF como instituição proponente e, entre esses projetos, há 49 pesquisadores que são colaboradores da instituição.
O Instituto também conta com 30 pesquisas clínicas patrocinadas em vigência ou em fase de regulação. No mesmo período, foram registradas aproximadamente 100 publicações científicas vinculadas a pesquisadores do IgesDF.
A Gerência de Pesquisa (Gerpe), vinculada à Diep, atua na estruturação, no acompanhamento e na coordenação dos projetos, além de promover a integração entre pesquisadores, serviços de saúde e instituições parceiras.

Para a gerente de Pesquisa da Diep, Ana Carolina Lagôa, a participação em estudos clínicos amplia as oportunidades de colaboração científica e aproxima a produção de conhecimento das atividades assistenciais.
“Esse cenário mostra que o IgesDF vem avançando em diferentes frentes da pesquisa científica. Ao mesmo tempo em que fortalecemos a produção conduzida pelos nossos próprios profissionais, ampliamos a participação em pesquisas clínicas patrocinadas e a articulação com instituições nacionais e internacionais. Essa integração aproxima nossos serviços de grandes redes de pesquisa e cria oportunidades para que conhecimento, inovação e assistência caminhem juntos”, destaca.
A Gerpe também mantém um programa de fomento à publicação científica, que oferece apoio financeiro para trabalhos submetidos a periódicos que cobram taxas de publicação.

“Não basta desenvolver a pesquisa. É importante que o conhecimento produzido circule, seja compartilhado e possa contribuir com outros pesquisadores e serviços de saúde. O apoio à publicação e a articulação com instituições parceiras ajudam a ampliar o alcance desse conhecimento e a inserir cada vez mais o IgesDF em redes de colaboração científica”, explica Ana Carolina.
Como se candidatar
Mulheres de 14 a 45 anos com diagnóstico de acne moderada podem entrar em contato com a equipe de Pesquisa Clínica do IgesDF para conhecer o estudo e verificar se atendem aos critérios de participação.
O contato inicial não garante a inclusão. A seleção dependerá da avaliação individual e do cumprimento dos requisitos estabelecidos no protocolo.
“Queremos que as mulheres interessadas procurem nossa equipe, conheçam a pesquisa e tirem todas as dúvidas. A partir da avaliação inicial, conseguiremos verificar quem atende aos critérios para participar”, reforça Laís Dutra.
As interessadas podem entrar em contato com a equipe de Pesquisa Clínica do IgesDF pelo telefone e WhatsApp (61) 3550-8837 ou pelo e-mail pesquisaclinica@igesdf.org.br.



