Entre o cuidado com crianças que precisam de atendimento hospitalar e a disciplina das artes marciais, Jeferson Viana Borges divide a rotina entre duas atividades que demandam concentração, preparo e dedicação. Técnico de enfermagem do Pronto-Socorro Infantil (PSI) do Hospital Regional de Santa Maria (HRSM), ele conquistou a medalha de ouro no Campeonato Mundial de Taekwondo WOTF 2026 e o bronze na Copa América de Taekwondo. Os resultados garantiram a classificação para uma competição na Coreia do Sul, prevista para julho de 2027.
As disputas foram realizadas entre 9 e 11 de outubro, em Arujá, São Paulo. Na modalidade Kyorugi (luta), Jeferson alcançou o primeiro lugar no Mundial e a terceira colocação na Copa América. Os campeonatos reuniram atletas de diferentes países e foram organizados pela World Olympics Taekwondo Federation (WOTF), em parceria com a Liga Nacional de Taekwondo.

“Foi uma honra imensa representar o Brasil em duas competições internacionais de alto nível. Foi uma experiência intensa, com atletas de vários locais, que coroou um ciclo longo de treinos conciliados com os plantões. Voltar com medalhas nos dois eventos foi a realização de um sonho de garoto”, conta.
Aos 46 anos, faixa-preta 3º Dan e competidor da categoria Master, acima de 80 kg, Jeferson tem 32 anos de trajetória no taekwondo. A paixão pelo esporte divide espaço com uma carreira profissional igualmente exigente. Técnico de enfermagem desde 2001, ele trabalha na pediatria do HRSM desde 2023. Também leciona Geografia na Secretaria de Educação do Distrito Federal (SEE-DF) e ministra aulas de taekwondo na NEO TKD Academy, onde mantém sua rotina de treinamentos.
“Essas medalhas são de uma vida toda de dedicação ao treino, estudo e trabalho. Mostram que, com constância, dá para competir em alto nível mundial sem abandonar o trabalho e a família. É a prova de que a persistência vence o talento”, destaca.

Disciplina que também se reflete no cuidado
No HRSM, administrado pelo Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (IgesDF), os ensinamentos aprendidos nos tatames também fazem parte da maneira como Jeferson cuida dos pacientes. No Pronto-Socorro Infantil, ele participa da assistência às crianças atendidas na unidade.
Para o profissional, os princípios das artes marciais vão além das competições e estão presentes em sua atuação na enfermagem. “No taekwondo, aprendi que força sem controle é violência, e controle sem força é ineficiente. Na hora da assistência aos pequeninos, preciso de firmeza técnica e segurança para passar tranquilidade a eles e aos pais. Mas minha força maior ali é a do acolhimento, do olhar, da empatia e do cuidado humanizado”, afirma.
O esporte também foi um importante aliado para Jeferson enfrentar momentos difíceis, como a pandemia e um período de depressão. Segundo ele, a prática contribuiu para desenvolver equilíbrio emocional e capacidade de agir sob pressão, características que fazem diferença no ambiente hospitalar.
“A disciplina me faz seguir protocolos à risca, a concentração me ajuda a manter o foco em procedimentos críticos e o controle emocional é fundamental nas intercorrências da pediatria, onde a tensão é muito grande. O esporte me preparou para não travar sob pressão e para cuidar do outro com equilíbrio”, relata.

A chefe do Serviço de Enfermagem do Pronto-Socorro Infantil, Layana Lopes, destaca a postura participativa de Jeferson e sua contribuição para o aprimoramento do trabalho da equipe. “É um profissional dinâmico, que demonstra capacidade crítica e participativa, contribuindo com sugestões construtivas”, avalia.
A notícia das medalhas também foi recebida com alegria pelos colegas. Embora parte da equipe já conhecesse a trajetória de Jeferson nas artes marciais, os resultados internacionais ampliaram o reconhecimento pelo esforço do profissional.
“É gratificante ver um colega alcançar resultados tão expressivos no esporte, especialmente em competições de nível internacional. Suas conquistas evidenciam sua determinação para alcançar seus objetivos”, destaca Layana.
Para a chefe, a trajetória do técnico de enfermagem também deixa uma mensagem para os demais colaboradores: a rotina de trabalho não precisa ser um obstáculo para a realização de projetos pessoais. “É importante não deixar nossos sonhos de lado diante da rotina e das responsabilidades do dia a dia. A história dele é um exemplo de que todos nós temos potencial para ir além, tanto na vida profissional quanto na pessoal”, conclui.



