“O trauma de uma violência sexual não acaba nunca. A mulher pode até acomodar essa dor, mas ela nunca vai deixar de existir”. A afirmação marcou a palestra sobre Violência Doméstica e Empoderamento Feminino, realizada na manhã desta sexta-feira (7) para colaboradores da equipe de segurança do Hospital de Base do Distrito Federal (HBDF).
O evento foi organizado por estudantes de Direito da Faculdade Estácio em parceria com a Superintendência de Engenharia e Arquitetura (SUENG), Superintendência de Operações (SUOPE) e a Gerência Operacional (GEOPE) do Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (IgesDF). O objetivo foi ampliar o conhecimento de homens e mulheres que atuam no hospital, reforçando o compromisso com o acolhimento de vítimas de violência de gênero.

A palestra foi conduzida por Ana Maria da Silva, coordenadora de Diversidade da Subsecretaria de Ações Temáticas e Participação Política (SUBATPP) da Secretaria da Mulher do DF. A coordenadora chamou atenção para a importância de reconhecer as formas de violência e perceber quando elas acontecem, seja com a própria pessoa, com alguém próximo ou quando se é o responsável pela agressão.
Segundo Ana Maria, existem cinco tipos de violência contra a mulher. A psicológica ocorre quando há intenção de causar dano emocional, controlar, manipular ou humilhar a vítima. A violência moral envolve práticas que buscam atingir a reputação, a autoestima e a dignidade da mulher, por meio de palavras ofensivas, xingamentos ou difamação.
Já a violência sexual se caracteriza por qualquer forma de coerção ou ato sexual não consentido. A patrimonial refere-se ao controle abusivo dos recursos econômicos, restringindo a autonomia e a independência financeira da mulher. Por fim, a violência física inclui agressões com hematomas, cortes, empurrões, arranhões ou qualquer outro tipo de dano ao corpo.
“O conhecimento é uma arma e um escudo que a mulher pode usar para se proteger da violência. Sabendo identificar e como buscar ajuda, a mulher consegue sair desse ciclo”, destaca Ana Maria.
Dados no Distrito Federal
Para ilustrar o cenário da violência de gênero, Ana Maria apresentou dados recentes do Distrito Federal. Segundo ela, até maio deste ano, o DF registrou 11 casos de feminicídio. Entre as vítimas, 88,9% não haviam feito boletim de ocorrência contra o agressor e 44,4% já tinham sofrido algum tipo de violência antes da morte.
“É importante sempre lembrar que quem violenta uma vez, vai violentar de novo”, completa a coordenadora da Secretaria da Mulher.

De acordo com o Painel de Feminicídios da Secretaria de Segurança Pública, desde o início de 2025, 24 mulheres foram vítimas de feminicídio no DF, número superior ao de todo o ano anterior, quando foram registrados 22 casos. Quase 60% das mortes ocorreram dentro da casa da vítima, e em 37,5% dos casos, a motivação foi o ciúme.
O que podemos fazer?
Segundo a palestrante, uma das formas de romper o ciclo da violência é por meio do empoderamento feminino. “Quando a mulher se conhece por completo, sabe o seu valor e tem autoconfiança, é mais difícil que ela se encontre em uma situação de violência”, explica.
A colaboradora da equipe de segurança do HBDF, Renata dos Santos, que assistiu a palestra, destacou a importância das pessoas saberem identificar e denunciar, mesmo não sendo a vítima. “É uma questão muito presente na sociedade, então é importante estarmos sempre batendo nessa tecla de que devemos sim denunciar e nos meter”.
Onde buscar ajuda?
· 180 – Central de atendimento que oferece escuta e acolhimento qualificados às mulheres em situação de violência.
· 190 – Polícia Militar do Distrito Federal.
· 197 – Polícia Civil do Distrito Federal, disponível para denúncias 24 horas.
· (61) 3207-6172 – Delegacia da Mulher (DEAM).


