GDF desmobiliza leitos de Covid-19 e abre vagas para outros pacientes


09/10/2020 - 09h55

Plano leva em conta baixa ocupação dos leitos, redução do índice de transmissão e diminuição de novos casos e óbitos

Os leitos reservados para pacientes acometidos pela Covid-19 começam a ser desmobilizados pela Secretaria de Saúde e poderão ser convertidos para pacientes de outras enfermidades. Essas medidas fazem parte do Plano de Desmobilização de Leitos da Covid-19 do Governo do Distrito Federal, anunciado hoje (09/10) pelo secretário de Saúde, Osnei Okumoto. O plano já está em execução.

No auge da pandemia, o GDF chegou a disponibilizar 769 leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) para a doença. Com a queda na taxa de ocupação, eles foram reduzidos para 509. Os leitos antes vagos passaram a ser destinados ao atendimento de pacientes com outras doenças ou foram devolvidos, no caso dos hospitais da rede privada, gerando economia para a pasta. Nesta sexta-feira (09), a taxa de ocupação de leitos era de 62,17%.

A desmobilização dos leitos está acontecendo gradualmente e sendo avaliada semana a semana, conforme prevê o plano. A queda no número de novos casos e de óbitos por Covid-19 foi observada a partir do dia 21 de agosto e se manteve em constante queda durante o mês de setembro.

Outro fator analisado foi a queda na taxa de transmissibilidade do vírus, que ficou abaixo de 1,0 durante todo o mês de setembro. Já no último dia 3 de outubro, a taxa chegou a 0,82, o que significa dizer que um grupo de 100 pessoas podem infectar outras 82 pessoas com o novo coronavírus.

Também é levado em conta a taxa de ocupação dos leitos, que precisa ficar abaixo de 70%, por, pelo menos, um período de 7 dias da última desmobilização, desde que não fique maior que 80% após feita a desmobilização. Nesse caso, a desmobilização pode ser freada ou, até mesmo, ocorrer a mobilização de novos leitos para atender aos doentes afetados pelo vírus.

Esses esclarecimentos contam do Plano de Desmobilização, apresentado hoje em entrevista coletiva no Palácio do Buriti, da qual participaram o secretário de Saúde, Osnei Okumoto; o diretor-presidente do Instituto de Gestão Estratégica da Saúde (IGESDF), Paulo Ricardo Silva, e o secretário-adjunto de Assistência à Saúde, Petrus Sanchez.

“Ninguém disse que a pandemia acabou em nenhum lugar do mundo”, afirmou Okumoto ao ser questionado pela decisão se desativar leitos. “Todos os lugares estão tendo transmissão ativa, em pequenas quantidades, em decréscimo. E a gente chegou num momento em que a necessidade dos leitos de UTI, UCI e de enfermagem está diminuindo, tornando viável que eles sejam oferecidos para o atendimento dos pacientes que não são Covid”.

MANÉ GARRINCHA

Um dos exemplos da desmobilização é o Hospital de Campanha Mané Garrincha, que já está sendo desativado devido á baixa ocupação. A estrutura está equipada com 197 leitos, sendo 173 de enfermaria adulto, mais 20 de suporte avançado e quatro de emergência. Nesse hospital foram recuperadas 1.762, mas hoje tem apenas 39 doentes internados. O contrato termina no próximo dia 20 de outubro e não será renovado.

Osnei Okumoto revelou que o plano foi apresentado na última segunda-feira (5) ao governador Ibaneis Rocha, que ficou de analisar a proposta. Ontem (8), o secretário recebeu autorização do governador para executar o plano, que prevê a desmobilização gradativa, sem calendário fixo, mas de acordo com as onze fases programadas.

DESMOBILIZAÇÃO

A desmobilização dos leitos, conforme estabelece o plano da SES, pode acontecer em três situações diferentes: quando o leito volta a atender a internação de pacientes por outras enfermidades; quando deixa de atender pacientes da Covid, mas não serão mais utilizados para internação para outras doenças, como os casos dos hospitais de campanha; e quando o leito contratado da rede privada é devolvido. Os leitos somente terão nova destinação após a alta dos pacientes ou sua transferência, quando necessário.

LEITOS DAS UPAS

Dentre os primeiros leitos que foram desmobilizados na rede pública de saúde estão os das UPAs. A reversão desses leitos permitirá a maior abertura das Portas de Emergências para atendimento geral à população, permitindo mais assistência à demanda que se encontrava reprimida.

PRÓXIMOS LEITOS

O Plano de Desmobilização relaciona as próximas unidades que serão atingidas. Caso os índices se mantiverem em queda e a ocupação dos leitos Covid for menor que 70%, as próximas unidades a terem seus leitos desmobilizados serão o Hospital Regional do Gama (20 leitos de UTI), do Hospital de Base (20 leitos da UTI Covid Neurocárdio) e o Hospital Regional de Samambaia (10 leitos de UTI). Esses leitos passarão passarão a atender pacientes com outras doenças. Ao todo estão previstas 11 fases, sendo a última a devolução dos 80 leitos do Hospital de Campanha da Polícia Militar do Distrito Federal.

REDE CAPACITADA PARA COVID

O secretário Adjunto de Assistência à Saúde, Petrus Sanchez, explicou que o Hospital Regional da Asa Norte (HRAN) permanecerá como unidade de referência distrital para o atendimento de pacientes com o novo coronavírus. Mas todas as unidades de saúde do DF (UPAs, UBSs e pronto-socorro de hospitais) estão aptas a receber pacientes com problemas respiratórios. “Os pacientes vão ser sempre pronto atendidos em sua regional, que está preparada, capacitada e com estrutura operacional para receber os pacientes Covid e não Covid”, assegurou.

 

Texto: Agência Saúde

Fotos: Davidyson Damasceno/IGESDF