Hospital de Santa Maria usa tablets para pacientes com covid reverem familiares


06/07/2020 - 15h14

Ação tem como objetivo manter o elo com a família e reduzir o sofrimento durante o tratamento

Pacientes internados com covid-19 no Hospital Regional de Santa Maria (HRSM) estão conseguindo amenizar a saudade dos familiares. Eles recebem vídeos, recados e fazem videochamadas com parentes e amigos graças à ajuda da equipe de psicologia da unidade, que está usando tablets para transmitir as mensagens com foco na humanização do atendimento.

“O trabalho de vocês foi muito importante para mim, porque consegui ter contato com a minha família. Estava muito preocupada com ela, pensando que mais alguém poderia estar doentes”, contou a paciente Margarete Almeida da Rocha, 42 anos, que ficou 22 dias internada, se recuperou e recebeu alta.

A paciente lembra que começou a sentir diversos sintomas da doença, como dores no corpo. Uma semana depois, surgiu a dificuldade de respirar. Ela procurou o Hospital de Santa Maria, onde já ficou internada recebendo oxigênio. Na unidade, ela foi submetida a um raio-x, que detectou que o pulmão estava tomado pelo vírus.

“Recebi a notícia de que meu cunhado faleceu com os mesmos sintomas. Nós entramos juntos no Hospital de Santa Maria, mas ele não resistiu. Esse foi o momento mais marcante que eu tive durante esse período”, contou a mulher.

Para ela, o trabalho realizado pela equipe foi muito bonito. “Agradeço toda a equipe da UTI e o trabalho dos fisioterapeutas, psicólogos, terapeutas ocupacionais. Vocês estão ajudando os pacientes a manterem o elo com a família”, disse.

A psicóloga responsável pelo serviço de psicologia, Lara Borges de Sousa, explicou que o projeto foi iniciado com um tablet comprado pelos próprios funcionários do HRSM, mas devido a importância do projeto, o Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do DF (IGESDF), que administra o hospital, adquiriu mais três aparelhos que chegaram nesta semana, o que permitiu ampliar o projeto para o pronto-socorro covid-19 e para os leitos de retaguarda.

“Ajudar os pacientes a se conectarem novamente com suas famílias é de extrema importância, inclusive, pode ajudar na recuperação”, disse Lara Borges. “É muito gratificante ajudar nessa ação de humanização do atendimento, porque estamos reduzindo o sofrimento dos pacientes nesse momento de medo e tensão”, complementou o psicólogo Leonardo Vitória de Santana, que atua na UTI.

O diretor-presidente do IGESDF, Sergio Costa, destacou que o instituto tem como um dos pilares a humanização do atendimento e todas as iniciativas voltadas para o melhor cuidado e atenção com o paciente são bem recepcionadas. “Oferecemos todo o apoio para iniciativas como essa, que diminuem o sofrimento do paciente e fazem com que eles se sintam mais acolhidos”, ressaltou.

DADOS – O HRSM é referência para covid-19. São 90 leitos de UTI com respiradores, 10 de cuidados intermediários com respiradores, 16 de retaguarda no pronto-socorro e 45 de enfermaria.

Texto: Ailane Silva/Agência IGESDF

Fotos: Agência IGESDF