Pacientes do Hospital de Base voltam a caminhar após receber prótese


10/09/2020 - 14h41

Aproximadamente 180 pessoas foram beneficiadas apenas neste ano

Após quase 18 anos sem conseguir fazer atividades simples do dia a dia por causa de uma infecção no fêmur que causava dor intensa na perna esquerda, Carlos Pereira dos Santos, 47 anos, decidiu com apoio médico fazer a amputação do membro no Hospital de Base (HB). Para muitos, a decisão parecia drástica, mas para ele representou o fim de um longo sofrimento.

A cirurgia foi um sucesso e o paciente recebeu todo o suporte da equipe de fisioterapia para se preparar para receber uma prótese, por intermédio do Projeto de Reabilitação dos Amputados. Depois de receber o acessório, foram poucos dias para que ele voltasse a caminhar, mas sem sentir dor. Subir e descer escadas, antes um grande desafio, se tornou bem simples.

Carlos, que trabalha como agente administrativo e mora em Vicente Pires, conta que esbarrou a perna em uma barra de ferro. O impacto, que parecia ter sido simples, gerou osteomelite, uma infecção óssea que causava uma ferida externa.

“Desde então, eu sofria com muitas dores, não dormia bem e tomava muito medicamento. A dor atrapalhava meu serviço e eu sempre tinha que recorrer ao hospital. Muitas vezes eu não podia sair para me divertir. Hoje, posso sair e até nadar nas piscinas olímpicas. Mudei completamente minha vida”, comemorou Carlos.

Para ele, a ajuda dos profissionais de saúde foi de grande importância. “Hoje, estou vivendo muito bem. Eu só tenho a agradecer aos médicos, fisioterapeutas e profissionais da limpeza. Todos aqui são uma família. Agora, consigo andar, fazer minhas tarefas e até dirigir. Antes eu não conseguir nem andar direito. Para onde eu ia, era dor”, lembrava.

Leonardo Pereira Walverde, 65 anos, também teve que amputar a perna esquerda. No caso dele, foi uma partida de futebol que prejudicou o joelho, que teve que passar por cirurgia e, em razão de uma infecção que o deixou oito dias em coma outra intervenção cirúrgica foi necessária, mas para retirada do membro. Agora, Leonardo está fazendo fisioterapia para, assim como Carlos, receber uma prótese.

“No começo, confesso que fiquei muito abalado, pois jamais imaginei ficar sem uma perna. Isso me marcou muito, mas aos poucos fui me adaptando. Agora, acredito que a prótese vai me ajudar muito. Vou me livrar da cadeira de rodas e ficar mais independente. Sei que o processo é longo, mas vai ser melhor”, disse.

A esposa de Leonardo, Rita Feliciano Walverde, 62 anos, também aposentada, conta que os dois são casados há 41 anos. “Pensei que iria perder meu marido pela situação, mas graças a Deus e aos médicos ele está vivo. Estamos recebendo muita assistência do hospital”, disse.

SERVIÇO – A fisioterapeuta Ronara Machado Mangaravite explica que o Projeto de Reabilitação dos Amputados consiste em preparar os pacientes que são atendidos no HB para receberem prótese, ajudá-los na recuperação e adaptação. Apenas neste ano, aproximadamente 180 pacientes receberam o material.

“Os pacientes iniciam todo o trâmite para receber a prótese pelo projeto. Nós encaminhamos esses pacientes para o Núcleo de Órtese e Prótese da Secretaria de Saúde, na 114 Sul. Esses pacientes são avaliados e dão início à terapia”, explicou.

Segundo ela, depois da evolução do processo de cicatrização, é feita a medida da prótese e um molde. Posteriormente, a Secretaria de Saúde chama os pacientes para fazer nova moldagem e entregar a prótese. “Damos continuidade à reabilitação, buscando o máximo de resultados. Conseguimos devolver a esses pacientes uma funcionalidade e a felicidade, que é o mais importante”, finalizou a fisioterapeuta.

Texto: Ailane Silva/ IGESDF

Fotos: Davidyson Damasceno/IGESDF