Iges socorreu mais de 69 mil pacientes com covid-19

Instituto investiu R$ 136 milhões nas unidades sob sua administração, que atenderam 28% dos casos registrados no DF

Thais Umbelino
22/12/2020 - 11h02

Os recursos aplicados em 2020 pelo Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (Iges-DF) para enfrentar a pandemia do coronavírus na capital ultrapassaram o montante de R$ 136 milhões. Os investimentos foram feitos, especialmente, na compra de insumos, na aquisição de leitos médicos e em obras ou reformas de espaços para atender aos pacientes.

Ao todo, segundo balanço de abril a 14 de dezembro, o Iges atendeu 69.239 pacientes de covid-19 nas oito unidades que administra: Hospital de Base (HB), Hospital Regional de Santa Maria (HRSM) e seis unidades de pronto atendimento (UPAs) do DF.

Equipes se mobilizaram para enfrentar a pandemia do coronavírus no DF
Equipes se mobilizaram para enfrentar a pandemia do coronavírus no DF

“O instituto assumiu um protagonismo importante no enfrentamento da pandemia. Claro que ela ainda não terminou, mas as respostas dadas até agora são muito expressivas. Fomos ágeis na contratação de pessoal, na abertura de leitos e na compra de insumos”, destaca o presidente do Iges-DF, Paulo Ricardo Silva.

No HRSM — onde foram abertos mais leitos exclusivos para pacientes com coronavírus—, houve 14.538 atendimentos de abril até a segunda semana de dezembro. Nesse período, 54.130 pacientes com suspeita ou confirmação da doença foram atendidos na UPAS, sendo:

  • 863 na UPA do Núcleo Bandeirante
  • 893 em Ceilândia
  • 030 em Samambaia
  • 199 em Sobradinho
  • 550 em São Sebastião
  • 595 no Recanto das Emas

No Hospital de Base, 571 pacientes de covid-19 foram atendidos de março a novembro. Esse número mais reduzido em relação às outras unidades deve-se ao fato de o HB ser referência para casos específicos de imunodeprimidos, como aqueles de câncer e de trauma.

O superintendente da unidade, Lucas Seixas, lembra que, durante a pandemia, os profissionais se uniram para que pacientes de outras enfermidades não ficassem desassistidos. “Mesmo nesse período tão difícil, conseguimos fazer diversas forças-tarefas para atender patologias que não deixaram de existir por conta da covid-19”, afirmou.

Abertura de leitos para covid-19

A maior parte dos leitos foi aberta no Hospital de Santa Maria: 171 no total, entre os de unidade de terapia intensiva (UTI), os de unidade de cuidados intermediários (UCI) e os de enfermaria.

Leitos de UTI covid-19 na UPA de Sobradinho
Leitos de UTI covid-19 na UPA de Sobradinho

Primeiro, foram entregues 40 leitos de UTI com ventiladores, no 5º andar. Depois, a unidade inaugurou 20 de UCIs com respiradores e 16 de enfermaria com retaguarda de oxigênio. Esses 36 leitos ocuparam parte do ambulatório, em uma área que foi isolada para funcionar como pronto-socorro para a covid-19.

Posteriormente, foram abertos 50 leitos de UTI com respiradores, além de 45 de enfermaria. Atualmente, segundo dados da Sala de Situação da Secretaria de Saúde, o HRSM tem 10 leitos de UCIs para pacientes com covid-19. Esses leitos são considerados semi-intensivos, destinados a casos que não necessitam da UTI.

No Hospital de Base (HB), há atualmente 49 leitos covid-19, sendo 16 com suporte ventilatório. Durante a pandemia, a unidade de saúde chegou a ter 66 leitos de UTI, 24 de UCI e  70 de enfermaria, todos para pacientes com coronavírus.

Nas UPAs, hoje, todos os leitos para covid-19 estão desativados, mas a unidade do Núcleo Bandeirante chegou a abrigar 42 leitos de UTI com respiradores, 20 deles adquiridos sob contrato. Outros 10 leitos de UTI foram abertos em Ceilândia, 20 em Sobradinho e 10 em São Sebastião.

Reestruturação das unidades

As unidades do Iges passaram por diversas adequações para atender casos de coronavírus. No Hospital de Base, o pronto-socorro foi dividido em duas alas: a Norte ficou responsável pelo atendimento rotineiro de doenças diversas, e a Sul recebeu exclusivamente pacientes com covid-covid-19.

Além disso, o pronto-socorro do HB teve reforço nos pontos de transmissão de gases medicinais e de iluminação. E mais: dois aparelhos de ar-condicionado foram instalados para melhorar a temperatura do ambiente.

Em Santa Maria, todas as áreas de atendimento da covid-19 foram isoladas. Em alguns pontos, o instituto instalou portas com abertura automática, para reduzir as chances de transmissão do vírus. Os profissionais de saúde ganharam acesso a uma área de paramentação e desparamentação, a refeitório e a armários exclusivos.

Tendas foram montadas ao lado das UPAs para facilitar atendimento
Tendas foram montadas ao lado das UPAs para facilitar atendimento

“Toda a equipe empenhou-se bastante para oferecer um atendimento humanizado e de qualidade. Além de bem treinados, os funcionários são comprometidos e atenciosos”, analisa a gerente de Emergência do HRSM, Marielly Machado.

Ao lado das UPAs e do Hospital de Santa Maria, o Iges também montou tendas, que serviram como postos de atendimento rápido para receber casos suspeitos de covid-19.

“Essa estrutura permitiu que as UPAs atendessem tanto o paciente covid quanto o não covid, porque a gente tinha fluxo interno para isso”, afirma a superintendente da Unidade de Atenção Pré-Hospitalar do Iges, Nadja Vieira. Atualmente todas as tendas estão desativadas. Elas contavam com médicos, enfermeiros e técnicos de enfermagem para atendimento 24 horas por dia.

EPIs para o combate da pandemia

Durante a pandemia do coronavírus, o Iges está mantendo abastecidos todos os estoques de equipamentos de proteção individual (EPIs), o que inclui itens como luvas, óculos, protetores faciais, capotes, máscaras e macacões protetores. A distribuição e o monitoramento ocorrem diariamente.

Segundo último balanço da Superintendência de Insumos e Logística, até 18 de dezembro a Central de Armazenamento do Iges tinha no estoque:

  • 353,3 mil pares de luvas de todos os tamanhos
  • 224,2 mil máscaras descartáveis
  • 39,3 mil máscaras PFF 2 — que filtram 99,9% das partículas do ar
  • 13,1 mil unidades de álcool gel e líquido 70%

Treinamentos das equipes

Nos primeiros meses da pandemia, de março a junho deste ano, os profissionais do Iges receberam um série de treinamentos, com mais de 10 mil participações. A ênfase foi nas condutas relativas ao uso de EPIs, na paramentação e desparamentação dos profissionais de saúde e na coleta dos testes de covid-19. Ao todo, 1.187 horas foram destinadas para capacitação das equipes.

“O Núcleo de Educação Permanente está atento aos novos números de casos de coronavírus e está à disposição para reforçar os treinamentos nos setores demandantes, por meio do link de agendamento”, ressalta o gerente da Gestão do Conhecimento do Iges-DF, Artur Fonseca.

Prevenção de casos de coronavírus

Hospital de Santa Maria passou por desinfecção em junho para evitar contágios do coronavírus
Hospital de Santa Maria passou por desinfecção para evitar contágios do coronavírus

As unidades do Iges-DF passaram por diversas desinfecções durante a pandemia. O HB, por exemplo, teve áreas internas e externas do pronto-socorro higienizadas em março, para prevenir possíveis contágios. A ação ocorreu com o apoio do Exército Brasileiro.

Em junho, os militares atuaram no HRSM. Durante duas horas, a equipe limpou as áreas administrativas, o entorno de atendimento ao público, o espaço de triagem e a tenda para síndromes respiratórias. Em maio, a UPA de Samambaia também havia recebido a desinfecção.

Investimento em estrutura e tecnologia

Com o objetivo de evitar a contaminação em casos de óbitos por covid-19, o Iges instalou, em maio, estruturas especiais refrigeradas, para auxiliar no fluxo dos óbitos nos hospitais de Base e de Santa Maria e na UPA do Núcleo Bandeirante.

Além disso, com o Projeto de Telemedicina, médicos da linha de frente do combate ao coronavírus nas unidades do Iges receberam apoio direto de especialistas nas áreas de cardiologia, clínica médica, infectologia, pneumologia e terapia intensiva.

Ainda, o instituto disponibilizou, nos primeiros meses da pandemia, um número de celular exclusivo para que a população tirasse dúvidas sobre sintomas da doença e sobre como se prevenir. O atendimento era feito por assistentes virtuais, que se comunicavam pelo aplicativo WhatsApp.

Edição: Marina Mercante

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